quarta-feira, 13 de novembro de 2024

Ninguém vê

Eu tô morrendo há alguns meses... Mas como não sai sangue, ninguém vê.
Ando estressada demais, cansada demais, desanimada demais... A urticária voltou. Meu cabelo tá caindo. Tô roendo as unhas desesperadamente... Dor no corpo de novo. No braço. A insônia virou rotina. Colesterol ruim alto. Hemoglobina glicada no corte. E o ciático veio reforçar esse caos.
Não consigo concatenar minhas ideias direito. Minha memória está mais pra uma vaga lembrança. Prazer! Angústia é o meu nome.
Estou sem lugar, literalmente. Estou desalojada da minha própria casa. Eu sei, é por uma boa causa. Necessitava dessa reforma há tempos e iniciei uma parte, mas como não tenho para onde ir, sou obrigada a ficar no mesmo espaço em que a obra acontece. Só não é muito pior porque durmo na casa do Celso pra ceder o meu quarto pra minha filha. Ta tudo revirado, poeira pra todos lados. Eu tô cansada desse ambiente desarrumado, tumultuado e sem espaço pra mim. Às vezes não tenho nem lugar pra sentar direito. 
Ir pra casa de Celso é uma opção, mas não me deixa tranquila, não é o meu lugar. Lá não tenho as minhas coisas. Não é o meu habitat.
Eu disse esses dias que estava pagando para ter paz, gastando todo o meu dinheiro pra terminar de arrumar a casa da Ingrid, para que ela possa ir logo pro seu canto e eu ficar só, no meu lugar, em paz. E espero que realmente eu consiga a paz que eu preciso, na minha casa. No refúgio do meu quarto. Com as minhas coisas, do meu jeito. Enfim.