quinta-feira, 26 de março de 2026

Medo do nosso futuro

Fico bem triste quando Celso está inquieto, de cara fechada, claramente com pensamentos intrusivos, perturbado com seus problemas. Percebo sua irritação com os problemas de trabalho, de saúde, com a genética trazendo as doenças e mazelas de seu pai, a falta de dinheiro, a desolação com seus problemas de relacionamento com seu único filho, tão amado e tão distante, cada vez mais difícil... E acho que isso é o que mais o consome. E eu não posso fazer nada. Me sinto de mãos atadas. 
Quando está no auge da irritação fala tantas bobagens, profere tantos impropérios, se irrita (mais ainda) com os motoqueiros imprudentes nas ruas, com os engarrafamentos, com os vizinhos sem noção, com o aumento das taxas, do combustível. Tudo culpa o governo atual, e até com razão. É mesmo difícil defender. Mas eu fico muito mal com tanta energia ruim. E só ouço. Me calo. Não tenho o que dizer. Nem quero falar nada porque me faz mal. Preferia não ver e sentir tanta revolta, mas não o culpo. Sinto só uma grande tristeza por tudo isso. E medo do futuro. Do nosso futuro.