domingo, 22 de março de 2026
É, meu velho
O tempo hoje passa de forma a ter outros significados pra mim. Nesse exato momento, Celso está sentado e debruçado na mesa do almoço, cochilando. Não adianta dizer pra ir se deitar na cama pro cochilo ser mais relaxante, ele não vai. Estamos mais velhos e cansados. Ele e eu estamos sentindo o peso da idade chegando. De certa forma diferente, mas cada um com o seu peso. Olho pra ele tão entregue nesse sono, frágil, cansado. Sinto um misto de angústia e carinho, de amor. Meu coração aperta. É, meu velho, estamos envelhecendo. Agora, o nosso tempo vai se encurtar cada vez mais. Olho pra nossos corpos enrugados, flácidos e cansados. Nossas dores aumentando cada dia um pouco mais... nas costas, nos ombros, nos joelhos. As doenças, por mais que tentamos nos cuidar, sendo oportunistas e esperando nosso organismo falhar... É, meu amor, hoje somos eu e você. Chegamos até aqui. Sinto que temos que ficar cada vez mais juntinhos, nos cuidando, no aconchego dos nossos abraços, do nosso afeto e carinho um pelo outro. Que bom ter você comigo.